"Sem música não há vida, não há vida sem música"
Mostrar mensagens com a etiqueta Johnny Halliday. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Johnny Halliday. Mostrar todas as mensagens
sábado, 9 de fevereiro de 2013
sábado, 1 de outubro de 2011
Scopitone (10)
Esta versão de Johnny Halliday do sucesso do grupo espanhol Los Bravos, "Black Is Black", em francês "Noir c'est noir", filmada em Scopitone em 1966, é um caso raro de
consciência estética nestes vídeos. O realizador Alain Brunet usa o filme a cores para acentuar o contraste preto/branco que é dado através sobretudo do cenário, respondendo ao desafio da letra da canção. O vídeo poderia ser um filme a preto e branco, não fosse o rosto do cantor e das bailarinas e o fato laranja de uma delas. As cores servem para sublinhar a estética e a lógica do preto e branco, mostrando uma muito consciente utilização da cor, incluindo e sublinhando o preto e branco, que é afinal também uma opção de cores. O realizador filmou a cores o preto e branco, aludindo à estética do filme a preto e branco, e mostrando simultâneamente que o preto e branco é também, à sua maneira, "a cores". Uma maneira mais concentrada, mais apropriada para dar contrastes e mais propícia à reflexão, mas isto exigiria um texto mais longo e excede o âmbito desta minha nota de hoje. Desde já se diga, no entanto, que o que notoriamente falta nesta versão a cores do preto e branco são as sombras, todas as nuances e variações do cinzento. Isso, a cor não pôde - ou não quis - dar neste caso, já que se partiu de uma versão bipolarizada da relação preto / branco no fundo em xadrez: no lugar da paleta de cinzentos estão as outras cores, para além do preto e do branco.
consciência estética nestes vídeos. O realizador Alain Brunet usa o filme a cores para acentuar o contraste preto/branco que é dado através sobretudo do cenário, respondendo ao desafio da letra da canção. O vídeo poderia ser um filme a preto e branco, não fosse o rosto do cantor e das bailarinas e o fato laranja de uma delas. As cores servem para sublinhar a estética e a lógica do preto e branco, mostrando uma muito consciente utilização da cor, incluindo e sublinhando o preto e branco, que é afinal também uma opção de cores. O realizador filmou a cores o preto e branco, aludindo à estética do filme a preto e branco, e mostrando simultâneamente que o preto e branco é também, à sua maneira, "a cores". Uma maneira mais concentrada, mais apropriada para dar contrastes e mais propícia à reflexão, mas isto exigiria um texto mais longo e excede o âmbito desta minha nota de hoje. Desde já se diga, no entanto, que o que notoriamente falta nesta versão a cores do preto e branco são as sombras, todas as nuances e variações do cinzento. Isso, a cor não pôde - ou não quis - dar neste caso, já que se partiu de uma versão bipolarizada da relação preto / branco no fundo em xadrez: no lugar da paleta de cinzentos estão as outras cores, para além do preto e do branco.
Etiquetas:
Alain Brunet,
Black Is Black,
Johnny Halliday,
Los Bravos,
Noir c'est noir,
Scopitone
domingo, 18 de setembro de 2011
Scopitone (6, cont.)
O vídeo em cima não é um Scopitone, mas podia ser. Escolhi-o para ilustrar como a televisão terá substituído os Scopitones, pequenos filmes dos anos 1960 que podiam ser ouvidos e vistos em espaços públicos. Estes pequenos clips musicais que se destinavam a programas de música na TV francesa dos anos 1960 em diante são precursores - tal como os Soundies nos EUA nos anos de 1940 - dos videoclips, e integram a herança dos Scopitones.
O par mítico da canção francesa da década, Johnny Halliday e Sylvie Vartan, interpreta um standard da canção americana de 1934 que festejava o fim da lei seca nos EUA (de 1920 a 1933), Cocktails for Two, em francês Un cocktail pour deux. Evocando estes tempos em 1965, o vídeo opta pelo preto/branco e tenta dar o ar do tempo da década de 1930 nos fatos do casal de cantores. Transforma a canção na narrativa de uma pequena história, na qual se salienta a preocupação da época - 1965 em França - com os papéis de género, masculino/feminino: "Les filles, vraiment, quelle invention..." / "Quelle catastrophe que les garçons...", dizem respectivamente Johnny e Sylvie. A protagonista reinvidica para si os mesmos direitos que o seu companheiro, daí o título da canção, Un cocktail pour deux. Quase no final, há uma sequência de dança de grande leveza e elegância, quer em relação às versões cómico-burlescas de Cocktails for Two, quer pela transformação das imagens dos passos de dança em movimento descontinuado, desmultiplicando a imagem e evocando as origens do cinema.
(a continuar)
(a continuar)
Etiquetas:
Johnny Halliday,
Scopitone,
Sylvie Vartan,
Un cocktail pour deux
Subscrever:
Mensagens (Atom)