"Sem música não há vida, não há vida sem música"





segunda-feira, 15 de agosto de 2011



Scopitone (3)





Muito provavelmente a mais carismática e original cantora da década de 1960 em França, aqui fica um registo de Françoise Hardy em Scopitone, interpretando uma composição de 1963, Saurai-je?, com letra e música de sua autoria. O realizador do filme soube acompanhar o tom intimista e melancólico que era característico das canções de Françoise.

Em contraste com grande parte destes filmes em Scopitone, que procuravam efeitos mais espectaculares, como teremos ocasião de ver num outro post.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011



Scopitone (2)

A qualidade das cópias dos filmes em Scopitone nem sempre era a melhor - pelo menos tal como estão disponíveis hoje em dia no YouTube. Vale a pena, no entanto, ver o Scopitone realizado por Claude Lelouch para a canção de Johnny Halliday Pour moi la vie va commencer e admirar o extremo dinamismo das imagens que acompanham o estado nascente descrito nesta canção do "Ídolo dos Jovens" desses anos e que espelham o espírito da época.

Os dois exemplos finais que escolhi estão remasterizados. O primeiro é um belo tema de Michel Polnareff, mas interrompido por piruetas de Bond girls hiperactivas que estragam, a meu ver, o carácter intimista da canção.

O segundo exemplo é o meu preferido, apesar da interpretação algo exagerada - talvez propositadamente exagerada - de Sylvie Vartan. Mas este Scopitone contém no seu interior, como que mis-en-abyme, uma outra máquina de som, um gramofone, fazendo reflectir sobre os processos de difusão sonora. O assistente e secretário de Sylvie, Carlos, aparece a cantar de dentro da grafonola, o que completa o tom burlesco dado pela interpretação de Sylvie.

Espero que possam divertir-se pelo menos tanto como eu a escutar estas canções acompanhadas de imagens em Scopitone!





Link para o Scopitone de Sylvie Vartan com Carlos "2'35 de bonheur" em cima

Scopitone (1)


Mas havia outro mistério por esclarecer, pois agora relacionava os Soundies dos anos 1940 nos Estados Unidos com algo que tenho visto com frequência no YouTube, porque gosto muito da música da década de 1960, a época da minha adolescência: então e o que eram os Scopitones que repetidamente via, nomeadamente quando se tratava de música francesa?

Foi esta a informação que consegui on-line: as máquinas Scopitone eram também um tipo de jukebox com som e imagem, tal como as Panorama - que no entanto eram bem mais bonitas... as Scopitone projectavam filmes de 16 mm. Os primeiros filmes Scopitone foram feitos em França nos anos 1960, e depois na Alemanha e na Inglaterra. Tal como os Soundies na década de 1940 nos EUA, também os Scopitones são considerados como precursores dos videoclips e duraram até ao final da década de 1960.

Aqui ficam dois exemplos, o primeiro um dos mais populares na época, Telstar com Eddy Vartan, o irmão de Sylvie Vartan, e o segundo, Calendar Girl de Neil Sedaka, um exemplo daquilo que muitos Scopitones usam como recurso principal, muitas bailarinas, lembrando os filmes de James Bond e as Bond girls da época, mas deve ser apenas l'air du temps... aqui ilustrando o tema da canção, a Calendar Girl.




Soundies (3)


Estes pequenos filmes musicais a preto e branco eram projectados numa máquina chamada Panorama, uma espécie de Jukebox com som e imagem, em bares, cafés e night clubs nos Estados Unidos. Divulgaram muitos artistas afro-americanos da época e eram muito populares. Mas o seu sucesso fez com que os proprietários das salas de cinema e das empresas de exibição começassem a considerá-los concorrência, e entraram em declínio: em 1943 havia 10.000 máquinas Panorama nos EUA, em 1946 já só eram 2.000 (vd. http://www.chambel.net).

Aqui ficam mais dois soundies com músicos de jazz, Lionel Hampton e Sarah Vaugham, mostrando que nem sempre é um grande aparato técnico a fazer a qualidade destes filmes, em especial quando é a música a verdadeira protagonista.

 



 


Soundies (2)


Facto muito curioso desde logo na pesquisa que fiz no YouTube sobre os soundies foi a quantidade de filmes que encontrei protagonizados por orquestras femininas, Girl Bands. Aqui ficam alguns exemplos, quem sabe se o célebre e divertido Some Like It Hot não se terá inspirado num destes grupos para a orquestra feminina do filme. Era, ao que consta, o filme preferido do realizador, Billy Wilder, e as situações de comédia são causadas por duas personagens em fuga, interpretadas por Tony Curtis e Jack Lemmon, que para escapar a uma perseguição de gangsters se disfarçam de mulheres e se infiltram numa orquestra feminina, onde encontram a personagem de Sugar Kane, interpretada por Marilyn Monroe. Datando esta comédia musical de 1959 e os soundies da década de 40, entre 1940 e 1946, é bem provável.








Soundies (1)


 
Tal como no incipit do texto de Through the Looking Glass de Lewis Carroll, ("One thing was certain, that the white kitten had had nothing to do with it: - it was the black kitten's fault entirely."), uma coisa era certa: a culpa tinha sido toda do vídeo de Jukebox Saturday Night, que ecoava obsessivamente naquele dia na minha memória e que inesperadamente me apresentou o mundo desconhecido dos soundies. Vou deixar a apresentação ao cuidado de Michael Feinstein e Cab Calloway, tal como a ouvi então, porque assim os entendidos na matéria não dirão que estou a falar daquilo de que, pelo menos até agora, não sabia nada...

Em baixo, mais uma vez, o soundie responsável por esta digressão, Jukebox Saturday Night...








Encontrei informação em português sobre os soundies, pequenos filmes musicais a preto e branco, precursores dos videoclips, no site de Rui Chambel, que pode visitar também:

http://www.chambel.net

Canções do tempo dos HI-FI (7) - Françoise Hardy, Le premier bonheur du jour